O setor de transporte marítimo acompanha dois importantes incêndios em navios com cargas destinadas ao Brasil. As operações de salvamento e a avaliação das mercadorias podem mobilizar vistoriadores, reguladores de sinistros, seguradoras e equipes especializadas.
Os casos envolvem o Espírito Santo Express, no Atlântico Sul, e o HMM Platinum, na região da África do Sul. A possibilidade de futuros trabalhos de inspeção existe, mas ainda não é possível afirmar que os contêineres retornarão ao Brasil ou que haverá contratação de equipes em Santa Catarina.
Em 27 de outubro, a W.K. Webster comunicou que as chamas continuavam ativas e os salvadores trabalhavam no combate ao fogo.
Incêndio registrado entre o fim de setembro e início de outubro; a embarcação buscava uma solução de porto de refúgio.
Espírito Santo Express: incêndio ainda ativo em 27 de outubro
O porta-contêineres de bandeira de Singapura viajava de Singapura a Santos quando sofreu uma explosão seguida de incêndio no Atlântico Sul, em 15 de outubro. A embarcação era operada pela Hapag-Lloyd sob afretamento da Seaspan, que informou estar a tripulação do navio em segurança.
Segundo a empresa especializada em sinistros W.K. Webster, o incêndio ainda era combatido em 27 de outubro. A companhia informou que possui vistoriadores de carga de prontidão para avaliar perdas e danos quando as condições permitirem.
A Hapag-Lloyd declarou que a extensão dos prejuízos ainda está em avaliação e que não consegue informar o estado individual dos embarques. Em comunicado de 21 de outubro, a Ocean Network Express (ONE) afirmou não dispor de relação confirmada dos contêineres afetados, de um plano de contingência ou de uma nova previsão de chegada.
HMM Platinum: Navegantes fazia parte da programação
O HMM Platinum transportava aproximadamente 2.300 contêineres na rota da Índia para o Brasil. Antes do sinistro, as escalas programadas incluíam Santos, Paranaguá, Navegantes e Rio Grande, conforme noticiado pela Datamar.
O incêndio provocou o desvio da embarcação para a África do Sul, onde foram consideradas alternativas de porto de refúgio, incluindo Durban e Gqeberha (antiga Port Elizabeth). Em 23 de outubro, um representante da HMM informou ao The Maritime Executive que o combate estava na fase final de rescaldo e que os 24 tripulantes permaneciam em segurança.
Quais serviços podem surgir para os vistoriadores?
Cargas afetadas por sinistros marítimos podem exigir documentação técnica e inspeções especializadas. Dependendo das condições de segurança e das orientações dos responsáveis, podem ser necessários:
- Vistorias de contêineres com suspeita de avarias por fogo, fumaça, calor e água empregada no combate;
- Levantamentos fotográficos, verificação de lacres, identificação de unidades e conferência de volumes;
- Inspeções de contêineres refrigerados (reefers) e análise de registros de temperatura, quando aplicável;
- Acompanhamento autorizado de descarga, segregação, desova, transbordo e levantamento de perdas;
- Elaboração de relatórios de avarias para seguradoras, reguladoras, armadores e empresas de inspeção.
A necessidade desses trabalhos dependerá da avaliação de cada remessa, da disponibilidade das cargas para inspeção e das autorizações de operação em cada local.
Há carne nesses navios? E as mercadorias serão descartadas no mar?
Não foi confirmada até o fechamento desta matéria uma lista de produtos cárneos atingidos, nem qualquer decisão de descartar mercadorias no oceano. Fontes de sinistros mencionam contêineres e cargas sensíveis à temperatura, mas não identificam os produtos danificados por unidade.
Também não há causa elétrica confirmada para os incêndios. No caso de produtos perecíveis eventualmente envolvidos, a integridade deve ser analisada por profissionais habilitados, considerando registros de temperatura, tempo de exposição e os procedimentos das autoridades competentes.
Garantias de salvamento e avaria grossa
Empresas especializadas apontaram a exigência de garantias de salvamento em decorrência das operações de resgate. Também foi mencionada a possibilidade de avaria grossa, mecanismo pelo qual certas despesas extraordinárias feitas para preservar os interesses da viagem marítima podem ser compartilhadas entre os interessados, conforme as regras aplicáveis.
A eventual declaração formal de avaria grossa deverá ser confirmada pelos responsáveis. Mesmo contêineres aparentemente preservados podem depender de documentação e procedimentos específicos antes de sua liberação.
O que o setor brasileiro deve acompanhar
Para os vistoriadores de cargas, a etapa decisiva será a confirmação de onde os navios poderão ser atendidos, quais contêineres serão descarregados, se haverá transferência de mercadorias para outras embarcações e quais portos brasileiros receberão eventuais remessas recuperáveis.
A orientação da JV News é acompanhar os comunicados oficiais e manter disponibilidade operacional, sem presumir contratos ou desembarques ainda não anunciados.
- W.K. Webster — Espírito Santo Express, atualização de 27/10
- Hapag-Lloyd — atualização do incidente
- ONE Brasil — aviso de 21/10
- W.E. Cox Claims Group — HMM Platinum
- Datamar — escalas brasileiras previstas
- The Maritime Executive — atualização de 23/10
As informações poderão ser atualizadas quando houver novos comunicados e confirmação de destino das cargas.